O tempo voa.

Meu amigo Fernando Ike postou essa semana a revisão do ano 2017 dele. Eu gostei da ideia e, assim como Noel Gallagher faz em suas composições1, eu decidir pegar a ideia emprestada.

Então, como o ano de 2017 foi para mim? Em uma resposta curta, foi um bom ano. Foi um ano interessante tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Eu troquei de emprego, ajudei desenvolvedores a aprenderem TDD, ajudei empresas a se tornarem mais ágeis, comecei a produzir um podcast junto com um amigo, aprendi um pouco de espanhol2, dei palestras, perdi 14 Kg e corri 500 Km.

O podcast Na Estrada DevOps

Old gramophone, por Peter Heeling

O Na Estrada DevOps é um podcast sobre DevOps, suas práticas, influências e tendências. Eu não lembro quando que o Fernando me convidou para participar, mas é uma das coisas mais divertidas que fiz esse ano, sem dúvidas.

O primeiro episódio foi transmitido em março e nós gravamos 16 episódios no total. Com a ajuda de convidados especiais, falamos sobre Continuous Delivery, Infrastructure as Code, Test-Driven Development, Domain-Driven Design, sobre o papel dos profissionais de Quality Assurance e até mesmo sobre Design Thinking!

Workshop Implementing Domain-Driven Design

Workshop IDDD do Vaughn Vernon: recomendado!

Em abril eu participei do workshop Implementing Domain-Driven Design do Vaughn Vernon. Se você tiver a oportunidade de participar de um workshop com ele, o faça!

Vaughn alia um conhecimento profundo de Domain-Driven Design com uma vasta experiência em desenvolvimento de software, explicando em linguagem simples as estratégias que você tem a disposição para domar a complexidade do seu domínio.

Um verdadeiro mestre.

Palestras

Sim, eu tenho uma explicação racional para o subtítulo da palestra.

Fazia 5 anos que eu não dava uma palestra em uma conferência técnica pública. Eu tinha esquecido como era divertido entregar conteúdo para um monte de pessoas que nunca havia visto antes.

Foram duas palestras aos quais apresentei quatro vezes em três eventos diferentes. Uma é a introdução à Domain-Driven Design e a outra é sobre o relacionamento entre DDD e Microserviços.

Eu investi bastante tempo para preparar ambas palestras. A palestra de introdução à DDD precisou de 16 ou mais dias de trabalho (pesquisa, descoberta de narrativa, preparação do roteiro e design dos slides). Eu fiquei feliz com o resultado final, é minha melhor palestra até a data. Esta palestra foi filmada no The Developers Conference São Paulo e está disponível on-line.

User Story Map all the things

Mapeamento de Estórias de Usuário provou-se útil como uma forma de fazer um mapa de fluxo de valor.

Após entrar na Easy, ajudei a iniciar uma iniciativa de transformação que tem, como objetivo, criar colaboração e engajamento no fluxo de valor do produto através de processos simples que irão ajudar o time a entender a visão geral do produto. A ideia é de visualizar oportunidades de melhoria no fluxo de desenvolvimento de produto através de um sistema Kanban e de alimentá-lo com estórias com tamanhos adequados, descobertas através de Mapas de Estórias e definidas em Workshops de Estórias.

A iniciativa está em seus primeiros passos mas o uso de Mapeamento de Estórias espalhou-se como um incêndio florestal. Os primeiros resultados são animadores, há um consenso de que a comunicação melhorou, de que há um melhor entendimento dos novos produtos a serem desenvolvidos e de que ficou mais fácil priorizar o que deve ser desenvolvido.

Entretanto, o uso mais interessante foi para criar um mapa de fluxo de valor de como trabalhamos. Depois de explicar a uma amiga de trabalho que iríamos fazer um mapa de fluxo de valor, ela sugeriu que usássemos o Mapeamento de Estórias para a atividade. Funcionou perfeitamente, créditos da Helene Romanzini!

Test-Driven Development

Escrever um teste que falha, fazê-lo passar, refatorá-lo.

Nos últimos três anos, eu tive a oportunidade de ajudar outros desenvolvedores a aprenderem Test-Driven Development em uma forma mais estruturada, como uma atividade rotineira dentro das empresas em que trabalhei.

A criação de um ambiente de aprendizagem contínua é a atividade profissional mais gratificante para mim. E também é algo que me motiva a ir além já que eu sempre aprendo alguma coisa nova quando ajudo outros a aprenderem.

Este ano eu tive a chance de começar um code kata com um time de 12 desenvolvedores e o formato está mais que provado. Agradecimentos especiais ao Nelson Senna, que me deu recomendações preciosas de exercícios.

Isso é tudo? E 2018?

2017 foi, de fato, um grande ano. Foi o ano que eu finalmente trabalhei no equilíbrio trabalho/vida pessoal. Foi um processo lento, que começou depois que eu decidi sair do meu trabalho anterior em janeiro desse ano. Eu me disciplinei, comecei a comer melhor, comecei a fazer exercícios e então o resto seguiu.

Eu perdi peso, li quase um livro por mês, dediquei mais tempo à minha família, fiz novos amigos e parei de ficar ocupado todo o tempo e passei a ser mais produtivo.

Claro, poderia ter sido um ano melhor. Meu time lutou contra o rebaixamento, meu barzinho favorito3 fechou mas, o que realmente me entristeceu, foi o fenômeno de famílias inteiras que começaram a viver nas ruas do país. O golpe e a enorme instabilidade política pioraram a vida do povo.

Mas eu sou um otimista. Primeiro, eu espero o restabelecimento de um governo democrático com um processo eleitoral transparente. Então, espero que usemos esse acontecimento como um aprendizado de que a democracia é algo frágil para, finalmente, voltar ao processo civilizatório que foi abortado em 2016. Precisamos de mais direitos e precisamos de justiça social, não o oposto.

Otimismo é uma estratégia para criar um futuro melhor. Porque se você não acreditar que o futuro possa ser melhor, é improvável que você vá dar um passo à frente e tomar a responsabilidade em fazê-lo. Se você assumir que não há esperança, você garantirá que não haverá esperança. (Noam Chomsky)

Não tenho grandes planos profissionais e pessoais. Eu espero publicar minhas descobertas de fala em público, Mapeamento de Estórias de Usuários, Kanban e Test-Driven Development. Eu espero ir em mais conferências técnicas e de codificar mais frequentemente. E, caso nada disso aconteça, ficarei mais que feliz em manter a regularidade do podcast.

Para todos, um excelente 2018!


  1. O homem é um gênio. Ponto final. 

  2. Pero aun no consigo hacer el sonido de la doble R, es imposible! 

  3. Saudades, Lapinha! Eles serviam o melhor escondidinho do universo conhecido.